Nasci em Torres Vedras, no dia 11 de Maio de 1968, vivia-mos numa aldeia próxima, Montengrão, o meu pai faleceu quando eu tinha apenas 2 anos de idade, a minha mãe não tinha carta de condução nem automóvel e por isso sempre que necessitávamos de nos deslocar utilizava-mos os autocarros da empresa Barraqueiro, muito velhinhos, alguns já meio a cair aos bocados, acho que foram esses autocarros, nos
quais eu procurava ir sempre em cima da caixa que cobria o motor, situada o lado do condutor, que despertaram em mim a paixão pelos motores e pelos veículos. Com 3 ou 4 anos de idade, umas senhoras da aldeia deram-me uma pequena camioneta de plástico, que ainda hoje tenho, foi um presente maravilhoso, fiquei mesmo feliz e ainda hoje guardo na memória esse momento. O padeiro da aldeia também tinha umas carrinhas Austin J2 e Morris JU que me despertavam bastante interesse, principalmente no inverno, quando ficavam atoladas na lama das estradas daquela época. Havia ainda um senhor que costumava lavrar um terreno em frente à minha casa com um trator Fordson Major, que fazia um barulho impressionante quando estava em esforço, que despertou ainda mais a minha curiosidade de como é que uma máquina podia ter tanta força. Quando ia a Torres Vedras com a minha mãe, adorava ver os carros estacionados na cidade, dizer a marca deles todos e se possível tocar-lhes no emblema, coisas de criança...
Quando eu tinha 5 anos fui internado no Hospital de Dona Estefânia e aí recebi, num Natal que lá passei, alguns carrinhos de presente, que ainda hoje conservo, e foram os primeiros carrinhos de metal que vi. Ainda quando tinha 5 anos, a minha mãe voltou a casar e mudamos de aldeia, para Bonabal, mantendo a mesma freguesia e o Concelho de Torres Vedras, e a paixão dos automóveis foi sempre crescendo. Quando tinha 7 anos voltei a ser internado no Hospital de Dona Estefânia e durante esse tempo o meu padrasto, a quem eu sempre chamei de pai, comprou uma carrinha Volkswagen Tipo 3 Variant 1500 S, de 1965, na qual me foi buscar quando tive alta, vi o carro e adorei-o, ainda hoje está cá em casa. Quando aprendi a ler, a minha mãe quis oferecer-me um livro e perguntou-me o que é que eu queria, pensando que eu iria pedir algum livro infantil ou de histórias aos quadradinhos, mas, pedi-lhe uma revista de automóveis... Ela ficou um pouco surpreendida, mas lá me comprou a revista de automóveis, um exemplar da revista Mundo Motorizado. Ela dizia que eu tinha gasolina no sangue, tal era a paixão por carros e motores. Na escola primária, a professora perguntou-nos um dia se sabíamos o que queríamos ser ou fazer quando fossemos grandes e eu respondi, sem dúvida nenhuma, que queria ser engenheiro de automóveis e que queria ir para a Volkswagen na Alemanha para fazer um carro novo. Como é obvio todos os meus colegas riram, mas como os sonhos dão muitas voltas...
Sempre que podia lia tudo o que encontrava sobre automóveis e ainda hoje mantenho esse hábito. Não consigo imaginar a minha vida sem estar ligada aos automóveis. Já com 16 ou 17 anos comecei a escrever no jornal local «Badaladas» sobre o automóvel, mecânica e história automóvel. Em 1993 entrei para a Volkswagen Autoeuropa, fui dos primeiros colaboradores e tive o privilégio de participar na preparação do arranque da fábrica. Ainda hoje exerço a minha principal atividade profissional na Volkswagen Autoeuropa. Em 1995 fiz os meus dois primeiros restauros, um Triumph Herald 13/60 de 1968 e uma motorizada nacional SIS Sachs Lebre de 1964, que foi oferecida por amigos cá da aldeia. Mais tarde, em paralelo com o trabalho na Autoeuropa, comecei a escrever numa revista de automóveis antigos, que fechou pouco depois e, no ano 2000, o Diretor da Revista «Topos&Clássicos» convidou-me para escrever na revista e aí fiquei durante cerca de 11 anos, tendo publicado inúmeros artigos de reportagem, investigação, história, opinião, testes de estrada e reportagens fotográficas. Tive várias capas de revista com fotos minhas, e algumas revistas com artigos muito completos, sobre alguns temas específicos ou veículos especiais, como por exemplo autocarros antigos, tratores agrícolas, motos, carros especiais, centenários, entre outros. Entretanto fui participando na organização de eventos ligados aos automóveis, motos e outras viaturas antigas, passeios, encontros, exposições. Realizei alguns colóquios e apresentações sobre o tema. Colaborei nalguns livros e estou a preparar outros dois livros. Entretanto, fui continuando a restaurar alguns carros antigos e motos, mas devido ao pouco tempo disponível muitos deles ainda estão em fase de restauro, também fui comprando outros que gostei, alguns já vinham restaurados, tive também várias ofertas de carros antigos de pessoas conhecidas, de colegas e de amigos, os quais pretendo restaurar e alguns já estão a ser restaurados, como o Citroën 2CV AZL3 de 1959 oferecido por um amigo e colega. Aguardam restauro, um Peugeot 204 oferecido por um colega de trabalho, um Ford Taunus 17m oferecido pelo primo de um colega de trabalho, um Renault 16 TL oferecido pelo sogro de um colega de trabalho e algumas motorizadas. Tenho trabalho de restauro que me dá pelo menos até aos 100 anos. Em 2006 fui trabalhar para Volkswagen AG, em Wolfsburg, como membro da equipa de projeto de um novo carro, o Volkswagen Scirocco, tendo sido a concretização daquele sonho de criança da escola primária. Muitos dos meus colegas de infância vieram ter comigo e disseram-me: "Quem diria que um rapazito do Bonabal um dia iria mesmo trabalhar num carro novo da Volkswagen na Alemanha? Mas conseguiste!". Depois fiquei por lá mais uns anos e fiz parte da equipa de desenvolvimento do Volkswagen Sharan. Regressei em 2010 para a Volkswagen Autoeuropa. Atualmente também presto serviços de ajuda e consultadoria sobre aquisição e restauro de carros antigos. Alimento ainda vários sonhos ligados aos automóveis, entre eles um projeto que tenho idealizado sobre um museu dinâmico, outro é ter a possibilidade de criar e apresentar um programa de televisão sobre automóveis antigos, mas numa vertente completamente diferente daquilo que é usual, ou seja, o objetivo é pegar num automóvel que foi muito popular em Portugal, recriar uma cena da época do carro, num cenário e vivencia tipicamente portuguesas, e pelo meio ir falando da época, da história do carro, da importância dele na nossa história e na sociedade portuguesa. Tenho também uma coleção enorme de livros, revistas, jornais, folhetos, catálogos e documentos diversos sobre veículos automóveis e motos, com alguns milhares de exemplares, que utilizo para consulta nos trabalhos que faço. Além das publicações tenho também uma coleção de miniaturas, que o meu filhote adora. Em tempos desenhei a grafite alguns automóveis de que gostava bastante. Tenho atualmente uma parceria Win Win com a Quinta da Almiara que permite a realização de uma visita guiada às instalações da Quinta da Almiara, com passeio em carro clássico por uma rota rodeada pelas vinhas do Oeste e com passagens por locais históricos de Torres Vedras, terminando numa prova de vinhos. Todos se podem inscrever nestes passeios, por telefone ou no site da Quinta da Almiara, podendo ainda optar pelo carro antigo que desejarem de entre várias possibilidades. Também alugo os carros para todo o tipo de eventos, como por exemplo casamentos, festas de empresas, sessões fotográficas, filmagens, etc. Estou a planear realizar outros projetos, colóquios e exposições, tendo sempre como fio condutor os veículos antigos e o seu potencial na promoção turística e comercial, juntando as pessoas em seu redor.