08/05/2026
Porque é que continuamos a andar de moto depois dos 40
Há uma pergunta que aparece sempre, mais cedo ou mais tarde.
“Mas ainda andas de moto?”
Como se houvesse uma idade em que isso deixasse de fazer sentido.
Como se a moto fosse uma fase.
A verdade é que, depois dos 40, a pergunta muda.
Já não é “porque é que andas?”
É “porque é que continuas?”
E a resposta raramente é a mesma dos 20.
Já não é sobre velocidade.
Nem sobre mostrar.
Nem sobre provar alguma coisa.
É sobre outra coisa mais difícil de explicar.
Clareza.
Depois dos 40, há menos paciência para o que não interessa.
Menos disponibilidade para ruído.
Menos necessidade de aprovação.
E a moto encaixa aí.
Porque obriga a estar presente.
Porque corta o excesso.
Porque não permite distrações.
Não é fuga.
É foco.
E talvez seja por isso que tantos continuam.
Não apesar da idade —
mas por causa dela.
Porque, a partir de certa altura,
deixamos de procurar experiências intensas
e começamos a valorizar experiências verdadeiras.
E a moto, quando faz sentido,
continua a ser exatamente isso.