TEJOFONE
Conceito e ideia geral para instalação permanente no Cais do Sodré
Ideia original por Aron Mailath
(Desenvolvido desde 15 de Novembro de 2009.) A ideia consiste no aproveitamento da plataforma construída sobre o rio, sita no extremo sul do Cais-doSodré, entre a estação fluvial (a ocidente) e o novo complexo da Agência Europeia de Segurança Marítima e do Observatório Europeu da Droga e da T
oxicodependência (a oriente). Esta plataforma, construída com placas de betão, possui respiradores (orifícios) que permitem a circulação do ar empurrado pela maré. Estes orifícios servem para aliviar a pressão que a água exerce sobre a
plataforma, por forma a permitir uma maior longevidade da estrutura. Consequentemente, a cada 16 horas (aproximadamente), com a subida da maré, os respiradores apresentam um fluxo de ar com velocidade
suficiente para fazer tocar tubos devidamente posicionados sobre os orifícios. Estes tubos estão preparados à semelhança dos tubos dos órgãos de igreja, em sitemas de ar ressonantes abertos, com um bocal, junto da extremidade inferior do tubo, de funcionamento idêntico às flautas de bisel:
http://www.flute-a-bec.com/acoustiquegb.html
http://www.nazard.co.uk/organ.html
A instalação representa momentos cíclicos em que o rio "fala" com os Lisboetas, ao seu próprio rítmo, com a intensidade que a maré quiser. A aplicação dos tubos tornará o local mais atractivo (presentemente apenas explorado por pescadores furtivos e estacionamento ilegal), complementará o conceito de ligação dos Lisboaetas com o rio
(actualmente bem marcado pela ciclo-via que termina precisamente na plataforma em causa) e potenciará uma dinâmica de interacção cultural entre a cidade e o Rio, uma vez que, na plataforma, podem juntar-se
músicos e outros artistas em actuações conjuntas com o Tejo. A ideia contempla ainda a construção, no topo de cada tubo, um sistema de iluminação, auto-alimentado pela pressão do ar soprado pelos respiradores, calibrado para reagir quando os tubos produzem notas
musicias, resultando num efeito luminoso em total concordância com som produzido. Este acrescento, serve como complemento e como forma de sinalizar o local, actuando como um indicador à distância do
espectáculo sonoro (que só acontece de 16 em 16 horas), podendo atrair visitantes, que tenham a plataforma ao alcance do campo visual, mas que não se apercebam do som produzido, por se encontrarem demasiado afastados do local - se as luzes estão a acender e a apagar, o rio está a cantar. Alguns dos cerca de 40 tubos possíveis de serem colocados (sem que para isso seja necessário qualquer alteração física da plataforma) em outros tantos respiradores, esta ideia contempla a alteração de alguns de
forma a proporcionarem interacção com os visitantes, podendo apresentar as 3 seguintes variantes:
1. O visitante poderá manipular o som produzido colocando a mão no topo do tubo, alterando o seu comportamento (e o seu som, consequentemente).
2. O visitante poderá manipular o som produzido, tapando ou abrindo estes orificios com as próprias mãos.
3. Este tubo é, na realidade, o conjunto de dois tubos de diâmetros ligeiramente diferentes, encaixados um no outro. O visitiante poderá manipular o som produzido deslizando o tubo superior (uma vez que o inferior está fixo à plataforma), alterando assim a nota musical produzida. O material dos tubos não é determinante para a ideia, embora o artista gostasse de experimentar várias coisas, sendo que, até à data, o plástico (tubos de PVC) tem sido, por razões económicas, alvo de preferência.