24/08/2026
A Arma Mais Antiga do Mundo Não Dispara Balas
A propaganda não nasceu com a televisão nem com as redes sociais. Ao longo da história, o poder percebeu que controlar a narrativa pode ser tão eficaz como usar a força. Quem influencia a perceção pública consegue, muitas vezes, influenciar também as decisões de uma sociedade.
Olhemos para os últimos anos.
Durante a pandemia de COVID-19, foram adotadas medidas extraordinárias que limitaram temporariamente algumas liberdades individuais. Em nome da proteção da saúde pública, governos tomaram decisões que tiveram enormes consequências sociais e económicas.
A questão que devemos colocar é simples: até onde pode um Estado limitar direitos individuais em nome de uma emergência coletiva? E que mecanismos devem existir para fiscalizar essas decisões, sobretudo quando a ciência está em evolução e existem opiniões divergentes?
Nas alterações climáticas, existe um problema real e amplamente estudado. Mas também é legítimo questionar como são distribuídos os custos da transição energética.
Será razoável exigir mudanças significativas aos cidadãos enquanto grandes empresas e indivíduos extremamente ricos mantêm padrões de consumo com uma enorme pegada ambiental? Que impacto real têm determinadas medidas sobre as emissões globais? E quem acaba, na prática, por pagar a fatura?
Também vale a pena questionar o eterno confronto entre Esquerda e Direita.
Será que todas as diferenças políticas são realmente tão profundas como parecem? Ou existem matérias — como determinados mecanismos de vigilância, centralização administrativa ou expansão do poder do Estado — onde partidos ideologicamente diferentes acabam por convergir?
Não é preciso acreditar numa conspiração para fazer perguntas.
A propaganda mais eficaz nem sempre nos diz diretamente em que acreditar. Muitas vezes, limita-se a decidir quais os assuntos que recebem atenção, como são apresentados e quais as perguntas que ficam fora do debate.
Por isso, talvez a questão mais importante não seja saber quem tem razão.
É perguntar:
Quem beneficia desta narrativa?
Quem paga os seus custos?
Que dados sustentam estas decisões?
E quem fiscaliza quem exerce o poder?
Questionar