03/10/2026
Hoje o Nuno faz 22 anos.
Estará a comemorar noutro plano, num mundo que insisto em acreditar que é mais bonito do que este.
Por cá, reina a saudade.
Há 22 anos fui mãe pela primeira vez.
Nasceu um menino doce, brincalhão, sensato, intenso e profundamente cuidador.
O Nuno era daqueles que ficavam.
F**ava para ajudar.
F**ava para ouvir.
F**ava para cuidar.
No 8.º ano faltou a uma aula porque uma menina com autismo estava em crise e ele não conseguiu deixá-la sozinha.
Ligaram-me da escola.
Talvez esperassem que eu o repreendesse.
Eu agradeci.
Porque, sem saberem, estavam a dizer-me exatamente quem era o meu filho.
Depois vieram os carros, as motas, a Mecatrónica, os projetos e a Hornet, a menina dos olhos dele.
No dia em que tirou a carta, fui buscá-lo e ele, todo contente, mandou-me para o lugar do pendura.
E eu fui.
Falávamos todos os dias.
Brincávamos.
Discutíamos.
Fazíamos birra.
Passado um bocado estava tudo bem.
Conhecíamo-nos só com um olhar.
No aniversário do ano passado ainda discutimos como dois putos com o mesmo feitio.
Hoje daria tudo para ter essa discussão outra vez.
Naquele dia saiu para vir almoçar.
Mas a alma dele escolheu partir.
E desde então aprendi que a saudade entra em todo o lado.
Numa música.
Num carro.
Num lugar.
Num silêncio.
Mas o amor ficou.
Eu continuo a falar com ele.
Continuo a contar-lhe coisas.
Continuo a ser a mãe dele.
E no meio desta dor imensa há uma certeza que ninguém me tira:
o Nuno é AMOR.
Foi amor durante 21 anos aqui.
É amor agora.
Será amor enquanto eu existir.
Parabéns, meu filho.
Por cá há saudade.
Muita.
Mas há sobretudo amor.
E esse, meu Nuno, nem a morte conseguiu levar. ❤️