O meu carro não é apenas um carro.
É um abrigo, uma companhia, um marco (ou muitos) na história da minha vida. O meu carro está lá desde o primeiro dia:
De madeira ou de plástico, nas brincadeiras de bebé e de criança. Mágico nas primeiras viagens de família, com o mundo lá fora, à espera que o percorramos, à descoberta. Depois de ouro, parece-nos, quando crescemos e temos um, só nosso, pela prime
ira vez. Nas viagens com os amigos, quando temos a certeza de que o mundo é todo nosso e que o tempo haverá de chegar para o calcorrearmos de ponta a fim. Nos momentos de dúvida e de introspecção, parado na beira da estrada, ao pôr-do-sol inspirador. Quando levamos a primeira namorada a casa, como cavalheiros, e combinamos ir buscá-la no dia seguinte. Quando damos o primeiro beijo, trémulos mas decididos, à luz das estrelas, mais brilhantes do que desejaríamos. Quando casamos, com o capô enfeitado de flores, rendas nos espelhos e latas no pára-choques traseiro…
Quando nasce o primeiro filho, de goelas abertas (o carro primeiro, a caminho do hospital; o filho depois, nos braços da mãe). E quando nasce o segundo, também. Tudo igual, nunca aprendemos…
O meu carro vai estar sempre comigo. E mesmo que mude, ficará para sempre nas lembranças mais felizes…