31/05/2026
Honda ADV 350
Para fugir à cidade
O segmento das scooter (ou “aceleras”, se preferirmos a versão portuguesa) é um dos mais concorridos do mercado de duas rodas, seja no escalão mais baixo, com as 50cc destinadas aos adolescentes, seja nas 125, ideais para adultos citadinos. Neste último caso, a Honda é rainha e senhora graças à PCX 125, campeã de vendas com uma reputação inabalável. No entanto, há aceleras com motores maiores, e no segmento acima há várias opções com motores entre os 300 e os 400cc, como que a abrir caminho ao topo, onde pontuam modelos Honda, BMW e Yamaha, só para citar os mais tradicionais.
De entre as várias opções intermédias, a Honda ADV 350 surge como uma das melhores propostas, um modelo extremamente equilibrado que alia a qualidade típica da marca japonesa a uma facilidade de condução e a uma “alegria” mecânica capaz de entusiasmar.
Filha da sua mãe
Lançada em 2016, a Honda X-ADV 750 impressionou pelo porte atlético, mas também por colocar a condução fora de estrada ao alcance dos apreciadores de aceleras. Não servia para motocross, mas não se negava a ir muito longe do asfalto com o conforto inerente à caixa de velocidades automática. Resultado: foi um enorme sucesso. Em 2022, a receita foi “encolher” a moto, daí nascendo esta ADV, que tem uma irmã citadina chamada Forza, com a qual partilha o motor e vários componentes, mas não o habitat, pois o modelo que aqui vê consegue sair da estrada e proporcionar momentos de diversão extra, desde que não se abuse nas exigências.
Os pneus mistos Metzeler Karoo Street denunciam esta vocação logo à partida, aliando o bom comportamento no asfalto à desenvoltura fora dele. Com jante 15 à frente e 14 atrás e muita borracha à vista, percebe-se que a ideia é não sacrificar o conforto que se espera de uma moto que vai passar a maior parte do tempo a servir de fura-vidas na cidade, embora o seu tamanho desaconselhe aventuras no meio do trânsito. De qualquer forma, este já não é um brinquedo para adolescentes, mas sim para mentes adultas que sabem valorizar outros aspetos e continuam a apreciar o gozo de rodar o punho e sentir que a paisagem começa rapidamente a andar mais depressa.
Agressividade moderna
Esteticamente, esta ADV passa despercebida pela sua cor (também há em preto ou branco), mas chama a atenção por ter “aquele algo mais” que a distingue das outras. É maior, sim, mas tem cara de má, sem ser demasiado intimidante. O ecrã frontal é regulável e ajuda a canalizar o ar para longe do capacete, o volante traz de fábrica proteções dos punhos, as plataformas para os pés são amplas e permitem conduzir com as pernas pousadas ou esticadas, o banco é espaçoso para dois ocupantes, o escape hexagonal integra-se muito bem no conjunto e quase serve de moldura à pequena obra de arte que é o par de amortecedores traseiros da Showa, com reservatório separado e dourado, como que a dizer que há ali algo especial.
Vista de traseira, é bem menos agressiva, destacando-se os piscas mais descidos em relação à luz de travão e integrados no suporte da matrícula, que acaba por fazer a função de guarda-lamas.
O prazer de conduzir
Sentado na ADV pela primeira vez, aprecio o painel digital a cores com computador de bordo, permitindo visualizar conta-rotações, velocímetro, temperatura, hora, autonomia, consumos… enfim, não faltam informações sobre o funcionamento do motor de 330cc e 29 cavalos de potência máxima. Não paga IUC, o que é ótimo. A média de consumo nesta unidade de Test Drive estava nos 4,5 litros, o que não é de espantar. A marca anuncia menos um litro aos cem, pelo que numa condução normal os valores reais devem ficar nos quatro sem grandes problemas. Há um pequeno joystick para o polegar esquerdo navegar pelas opções do computador de bordo e os piscas têm cancelamento automático, excelente para os mais esquecidos.
Os puristas gostam de ter uma caixa de velocidades manual. Como não o sou, aprecio o conforto, a facilidade de condução e o descanso proporcionado pela caixa automática. Com a chave no bolso, rodo o botão e pressiono o arranque, não sem antes perceber que um condutor com menos de 1,75m de altura não chega ao chão se estiver sentado. Uma questão de jeito. O motor responde de imediato e com alegria ao mínimo rodar do punho direito, enquanto a largura do volante surpreende um pouco, fazendo-nos conduzir de braços bem abertos, numa posição de domínio absoluto da estrada.
Habituado que estou a uma PCX 125, as diferenças são enormes. A Honda ADV é muito mais “moto”, faz-nos sentir que estamos a conduzir um veículo de duas rodas mais a sério, e não demora nada a surgir um nível de confiança que permite conduzir de forma divertida e entusiasmada sem perder o essencial: conforto e sentido prático, bem presente no porta-bagagens por baixo do assento, capaz de arrumar dois capacetes. Ótimo para deslocações a dois. O casal pode ir aos toiros e deixar os capacetes bem escondidos…
Esta ADV 350 ganha velocidade de uma forma progressiva mas rápida, sendo uma arma poderosa nas ultrapassagens citadinas para aproveitar “aquele” espaço. Por falar em cidade, e comparando novamente com a PCX, os quatro amortecedores Showa dão um contributo enorme no suavizar das nossas calçadas angrenses. As costas agradecem. Quando a estrada abre e se começam a negociar curvas de outra forma, é quase inevitável que surja um sorriso. Lá está: talvez não seja uma moto para “conhecedores” e talvez seja até mais adaptada a territórios com outra dimensão por permitir viajar na autoestrada sem receio, mas é mesmo muito boa de conduzir.
É claro que tudo isto tem um preço, e é aqui que os 7400 euros fazem um bocadinho de impressão. É certo que por este valor já nos oferecem um capacete, mas é preciso querer mesmo uma ADV 350. É uma maxi-scooter excelente, disso não há a mínima dúvida, com uma qualidade de construção exemplar, recheada de equipamento e fabricada pela Honda, marca líder mundial… só que custa o dobro de uma PCX, e entre nós isso terá um grande peso na decisão.
Se eu gostava de ter uma? Mas ainda ficou com dúvidas?
Test Drive agradece o convite da Angra Motos para experimentar a Honda ADV 350.
Os ensaios publicados nesta página não são pagos de forma alguma, resultam apenas da paixão do seu autor pelo mundo motorizado.
Se também quer ter os seus produtos divulgados gratuitamente, envie mensagem.