03/08/2026
A gasolina comum do Brasil passou a ter 32% de etanol. É o teor mais alto que
este país já colocou na bomba e ninguém perguntou ao dono do carro.
Vale lembrar como chegamos aqui.
1975: o Proálcool não nasceu de preocupação ambiental. O petróleo tinha
quadruplicado de preço, o Brasil importava quase tudo que queimava e tinha cana
sobrando. Foi conta de importação, não consciência.
1985: deu certo. Quase todo carro zero saía a álcool. Mais barato na bomba,
imposto menor, motor mais forte.
1989: o açúcar valeu mais no exterior, faltou álcool na bomba e a fila no posto
acabou com a confiança de uma geração inteira.
Somou-se o resto do dia a dia: não pegava no frio, tanquinho de gasolina no
motor, afogador e uns 30% mais de consumo.
2003: o flex resolveu a briga. De tabela fez o motorista parar de olhar o
que entra no tanque porque deixou de precisar escolher.
É aí que a conta chega hoje. O carro nem sempre foi projetado para o que está
entrando. Muito importado é 100% gasolina de projeto e hoje bebe quase um terço
de álcool. Etanol tem outro poder calorífico, exige mais vazão e é mais
agressivo com borracha e com resíduo de tanque.
Quem sente primeiro não é o motor. É a bomba de combustível, o bico injetor, a
vela e o filtro geralmente nessa ordem.
Não é motivo para pânico. É motivo para não estourar o prazo de troca.