24/05/2026
A história dos carros elétricos no Brasil começa com uma visão ousada de João Amaral Gurgel. Em 1969, ele fundou a Gurgel Motores após deixar a Ford, reunindo apenas quatro colaboradores e 10 mil dólares. A ideia era criar uma montadora capaz de desenvolver motor, chassis e carroceria próprios, algo inédito no país, e que resultaria em cerca de 40 mil veículos produzidos ao longo de 25 anos.
Os primeiros modelos, como o Gurgel Ipanema e o Bugato, foram experimentos que combinaram inovação e resistência. Em 1974, surgiu o Itaipu, projetado para enfrentar a crise do petróleo e atender cidades médias, com foco em mobilidade urbana. O protótipo TU-Elétrico abriu caminho para a produção de veículos elétricos no Brasil.
O Itaipu E150 trazia dez baterias de chumbo-ácido, motor francês de 120 volts e 3,2 kW, autonomia entre 50 e 60 km e velocidade máxima de 60 km/h. Sua carroceria trapezoidal, inspirada no CitiCar norte-americano, utilizava fibra de vidro sobre chassi tubular. A rede de recarga prevista em Rio Claro (SP) demonstrava a ambição de integrar infraestrutura ao veículo, mas o projeto foi engavetado em 1977 devido à limitação das baterias e à prioridade do programa Proálcool.
Nos anos seguintes, o projeto retornou com o Itaipu E400, furgão capaz de transportar até 400 quilos, produzido a partir de 1981 com motor nacional da Indústrias Villares. O veículo atendia estatais como Telebras, Telerj, Cesp e Receita Federal, com velocidade máxima de 60 km/h, chassi de treliça tubular e câmbio manual de quatro marchas. Posteriormente surgiram os E500, versões com 120 km de alcance e capacidade para 500 quilos.
Mesmo diante da recessão no final do regime militar e da queda de vendas, a Gurgel manteve lucro com jipes a combustão. O Itaipu, no entanto, permanece como símbolo de inovação brasileira e pioneirismo na mobilidade elétrica, décadas antes das grandes marcas internacionais.