11/07/2026
Em março de 1973, Gianni Agnelli, presidente da Fiat e neto de um dos fundadores da empresa, veio ao Brasil para assinar o acordo que oficializou a instalação da fabricante em Minas Gerais. De acordo com registros da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, a decisão de construir uma fábrica fora do eixo paulista era considerada arriscada. Na época, das 12 montadoras instaladas no país, 11 estavam concentradas no Grande Abc, onde também se encontrava a maior parte da indústria de autopeças.
Segundo a Assembleia Legislativa de Minas Gerais, o governo mineiro adotou uma estratégia inédita ao participar diretamente do empreendimento, tornando-se sócio da Fiat Automóveis com participação de 45,29 por cento. Além da participação societária, o Estado disponibilizou um terreno de aproximadamente 2 milhões de metros quadrados e realizou obras de infraestrutura para viabilizar a instalação da fábrica em Betim. A unidade foi inaugurada em 9 de julho de 1976, com a presença do presidente Ernesto Geisel. Conforme a própria Fiat, o primeiro veículo produzido foi o 147, desenvolvido a partir do 127 italiano e adaptado às condições brasileiras. Em 1979, o modelo tornou-se o primeiro automóvel produzido em série no mundo movido exclusivamente a etanol.
De acordo com informações históricas da Fiat e da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, apenas 12 dos 323 fornecedores inicialmente previstos aceitaram instalar unidades na região. Com o crescimento da operação, novos fabricantes de autopeças passaram a se estabelecer nas proximidades da fábrica, processo que ficou conhecido como mineirização. A planta de Betim possui capacidade para produzir até 800 mil veículos por ano, já ultrapassou a marca de 18 milhões de unidades fabricadas desde 1976 e permanece como a maior fábrica da marca no mundo, consolidando Betim como um dos principais polos da indústria automobilística brasileira.