04/05/2026
Hoje eu falo não só como viúva, mas como alguém que teve a vida destruída de forma brutal e sem qualquer motivo justo.
Meu esposo não reagiu, não discutiu, não agrediu. Ele estava trabalhando, atrás de um balcão, no lugar onde deveria estar seguro. Mesmo assim, foi surpreendido, pelas costas, e executado a queima-roupa, com tiros em regiões vitais. Isso não foi um acidente, não foi impulso. Foi uma decisão.
Quem anda armado, já anda preparado para tirar uma vida. E foi exatamente isso que aconteceu.
Não foi por necessidade, não foi por dinheiro, não foi por defesa. Foi por um motivo fútil. Porque o desejo dele não foi atendido naquele momento. Porque ele se achou acima das leis, acima da vida, acima de tudo.
E eu me pergunto — e faço essa pergunta para a sociedade: se uma pessoa mata por algo tão pequeno, o que impede que faça isso de novo? Se amanhã ele entrar em uma loja, não conseguir trocar uma roupa, ele vai matar de novo?
Nós não estamos falando de um erro. Estamos falando de alguém que demonstrou que a vida humana não tem valor nenhum para ele.
Ele não matou só o meu esposo. Ele destruiu uma família inteira. Tirou sonhos, tirou planos, tirou o nosso futuro. Existe uma família que chora todos os dias por alguém que nunca mais vai voltar.
O que eu peço é justiça. Justiça de verdade. Não só por nós, mas para que isso não aconteça com outras famílias. Porque nenhuma outra mulher, nenhum outro filho, nenhuma outra família merece viver essa dor.
A justiça que eu busco não é vingança. É proteção. É a garantia de que alguém que mata por um motivo tão fútil não volte a conviver em sociedade como se nada tivesse acontecido.
Eu só quero que a vida do meu esposo tenha valor. E que a dor da minha família não seja ignorada.