10/06/2025
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Sete empresas dominam exportações de Cabo Verde e sustentam economia nacional
São Vicente, Cabo Verde – Num cenário económico desafiante, sete empresas cabo-verdianas assumem um protagonismo notável: juntas, são responsáveis por cerca de 97% do valor total das exportações de bens do país, segundo dados recentes das Alfândegas de Cabo Verde. Seis estão sediadas na ilha de São Vicente e uma na ilha de São Nicolau, com todas as operações de exportação a partir da alfândega de São Vicente — um verdadeiro pulmão económico do arquipélago.
O impacto destas empresas vai muito além dos números: são motores de emprego, centros de inovação industrial e sustentáculos da frágil balança comercial nacional. Conheça os gigantes que mantêm o Cabo Verde exportador vivo:
Frescomar: o atum que navega o mundo
Instalada há 28 anos no Lazareto, em São Vicente, a Frescomar, de capital espanhol, lidera o ranking das exportações. Especializada no processamento de atum e outros produtos do mar, tem uma forte presença na Europa, EUA, Israel e Peru. Emprega cerca de 1.350 trabalhadores, fazendo do mar cabo-verdiano uma ponte com os grandes mercados internacionais.
Verdevest: roupa interior com selo de São Vicente
A marca portuguesa Verdevest transformou-se numa referência na produção de roupa interior masculina — slips, boxers, pijamas e t-shirts. A produção, 100% exportada para Portugal e de lá distribuída para o mundo, sai do Parque Industrial do Lazareto, onde a empresa opera há 25 anos e emprega 110 pessoas.
ICCO: a base do calçado europeu passa por cá
Também de origem portuguesa, a ICCO produz componentes que representam cerca de 55% da estrutura de calçado acabado em Portugal. Com 32 anos de presença no Lazareto, a empresa mantém 241 colaboradores e reforça a cadeia produtiva transnacional.
Afropants: costura internacional com sotaque local
Localizada na Zona Industrial de Campinho, a Afropants — antiga Euroafrica — aposta na confeção de vestuário diverso (casacos, calças, jardineiras, etc.) com destino a Portugal e Porto Rico. Com 167 trabalhadores, tem capital português e opera há 18 anos, combinando tecidos sintéticos e algodão com mãos cabo-verdianas.
Poutada: os anzóis que pescam em dois continentes
A espanhola Poutada especializou-se na produção de acessórios de pesca, nomeadamente anzóis, com especial atenção à destreza feminina nas linhas de montagem. Estabelecida há 9 anos na zona de Monte, em breve muda-se para novas instalações no Lazareto. Com 150 colaboradores, exporta sobretudo para Portugal e Espanha.
Padaria Vitória: tradição que cruza o Atlântico
Começou em 1986 como uma pequena padaria na Ribeirinha. Hoje, a Padaria Vitória é um símbolo do empreendedorismo nacional. Com 70 funcionários e sede no Lazareto, leva o sabor autêntico cabo-verdiano para os Países Baixos, Portugal e EUA, com bolachas, biscoitos e pão que resistem ao tempo e ao mar.
SUCLA: uma história enlatada com sabor a mar
Fundada em 1935 no Tarrafal, ilha de São Nicolau, a SUCLA é a mais antiga unidade de conservas do país. Fiel à tradição, exporta atum e melva para os EUA e emprega 112 trabalhadores. Um caso exemplar de resistência industrial no interior insular.
Mais do que exportadoras, estas empresas são pilares do tecido económico nacional. Representam o potencial produtivo de Cabo Verde e mostram que, mesmo com limitações estruturais, o arquipélago pode competir e conquistar mercados além-mar.
Valorizar estas empresas é reconhecer o esforço de centenas de trabalhadores e o engenho que alimenta as exportações do país. Sem elas, Cabo Verde exportaria pouco mais do que vento e vontade.
REAT Rádio Estudantil Angolana de Transmissões