17/07/2026
O IPI Verde transformou reciclabilidade em dinheiro e pouca gente na cadeia automotiva percebeu o tamanho disso.
Como funciona, na prática:
O Decreto 12.549/2025 redesenhou a tabela do IPI com base em cinco critérios técnicos: tecnologia de propulsão, eficiência energética, potência, segurança e reciclabilidade. A tabela resultante vai de 2,15% até 24,70% para automóveis.
A simulação que importa: um carro híbrido-flex parte da alíquota base de 6,3%. Atendendo ao critério de eficiência, cai 1 ponto. Cumprindo o nível 1 de reciclabilidade, cai mais 1. Resultado: 2,8% de IPI. Reciclabilidade deixou de ser discurso institucional e virou linha na planilha tributária da montadora.
Tem mais: a categoria Carro Sustentável zera o IPI para compactos produzidos no Brasil que emitam menos de 83g de CO₂/km e contenham mais de 80% de materiais recicláveis.
O efeito cascata na cadeia:
→ Montadoras precisam comprovar índices de reciclabilidade → demanda por dados e infraestrutura de economia circular;
→ Materiais reciclados e peças reaproveitadas ganham valor estratégico → o desmonte legalizado vira fornecedor da indústria, não fim de linha;
→ O MOVER já mobilizou R$ 190 bilhões em investimentos no setor, incluindo autopeças e parte dessa conta passa pela cadeia circular.
Quem opera desmonte certificado no Brasil deixou de estar na margem do setor automotivo, está no centro da nova política industrial.
A pergunta para 2027 não é se a reciclabilidade vai valer dinheiro, é quem vai estar posicionado para capturá-lo?