07/05/2026
Povo unido, jamais será vencido
O tumultuado velório de Jango na Ditadura Militar... o dia que quase meia São Borja foi presa.
Dezembro de 1976.
Quando Jango morreu ele era um "Exilado".
Por lei estava proibido de pisar em solo brasileiro.
Proibido de visitar o Brasil.
Proibido de visitar sua amada São Borja.
Lugar que ele sempre amou e fez parte do cotidiano e historias da cidade.
O povo sãoborjense que estava acostumado ver ele no bar da Georgina e Jocelina, Clube Comercial, Praça XV...
De 1964 até sua morte... a cidade sentia saudades do seu querido filho.
Os militares não queriam enterrar João Goulart em São Borja.
Mas pressão popular foi imensa.
Enfim é chegado o dia.
O corpo chegou em nossa cidade, mas uma noticia deixou todo muito em estado de alerta.
Seria imensamente proibido a população participar do velório.
As ordens eram para todo mundo acompanhar de longe e não romper o cordão feito pelos militares.
Ai então... começa uma das cenas que merecia estar em algum filme.
Algum documentário.
Algum curta-metragem.
(Alô Netflix. Alô Amazon Prime.)
"Eu era pré-adolescente, meu tio me levou no velório. Meu pai não deixaria.
Chegamos lá estava tudo tranquilo.
Mas quando o caixão chegou a multidão começou a tentar romper a corrente dos militares...
Então alguém gritou no fundo: Nós que temos que levar esse caixão e não vocês.
Após uma imensa confusão a população sãoborjense carregou Jango até o altar da Igreja.
E depois até o cemitério."
(Conta meu tio Fonso Meireles.)
Aquela noite nesse cantinho do RS de 1976... a população fez uma vigília de orações.
Onde após toda confusão num Brasil dividido e de muita repressão...
Todo mundo orou por uma noite inteira.
E a chuva forte... era a mãe terra chorando sobre São Borja.
(Merecia mesmo um filme, ou algo do tipo, seria lindo.)