20/09/2026
Seu Raimundo fez essa rota por mais de vinte anos. Uma noite só bastou pra ele nunca mais aceitar viagem depois do escurecer.
Ele pilota barco recreio entre Manaus e Manicoré, no Rio Madeira, desde os anos 2000. É rota longa, de mais de um dia de viagem, com trechos de mata fechada dos dois lados e nenhuma luz de cidade por horas.
Segundo ele, sempre na mesma curva do rio, perto de um trecho que os moradores mais antigos chamam de "poço fundo", aparecia uma luz alaranjada boiando sobre a água. Não piscava como lanterna, não se movia como fogo de terra e sumia assim que o barco se aproximava demais.
Ele viu isso algumas vezes ao longo dos anos e sempre contava como curiosidade pra quem viajava com ele. Numa dessas noites, segundo relatos de quem estava a bordo, a luz não sumiu — ficou parada, acompanhando o barco por um trecho, antes de apagar de uma vez. Depois disso ele passou a recusar viagens noturnas nessa rota, mesmo perdendo passageiros.
Você já ouviu algum barqueiro ou piloto da sua região contar uma história parecida?